18Jan

Os anos 2020 foram devastadores. O tempo, sempre ele, foi cuidando para nos deixar cada vez mais afastados. E então, por mais incrível que pareça, com a maioria de nós aposentados, o que mais nos falta é tempo. Sempre ele.

Tempo. Essa estrada de mão dupla é implacável. Tanto serve para consolidar amizades, estruturas e sabores. Como pode corroer, enferrujar e dissolver o que parecia indestrutível, deixando um sabor de vazio na boca, nos olhos, na alma.

Nos anos 90, quando fundamos o Xavaskas do Asfalto, não havia um só mês, as vezes semana, que não estivéssemos mobilizados e prontos para uma nova jornada por esse país à fora.

Mas o tempo, sempre ele, não perdoou o piscar de olhos. Abelha optou por nos deixar para sempre e seguiu sozinho uma nova jornada rumo ao infinito. Torço para que um dia nos reencontre, mas sem pressa.

Cezinha sobreviveu a um grave acidente. Quis ele provar que uma motocicleta é mais forte que um ônibus, quase conseguiu. Como um verdadeiro guerreiro, após uma incrível e milagrosa recuperação, Cezinha lutou bravamente por manter os Xavaskas unidos e foi um verdadeiro embaixador da nossa escuderia na Baixada.

Mas seus sonhos o afastou da trupe cambaleante e o levou para a Serra de Friburgo, onde hoje nos representa, mas tem enorme dificuldade em participar dos encontros de confraternização pela distância, cansaço e limitações físicas da idade. Sim, somos todos 60tões.

Os anos 2020 foram devastadores. O tempo, sempre ele, foi cuidando para nos deixar cada vez mais afastados. E então, por mais incrível que pareça, com a maioria de nós aposentados, o que mais nos falta é tempo. Sempre ele.