
Pouquíssimas coisas podem tirar a alegria e o tesão de se pegar uma estrada com sua moto. Aquela manhã linda e fresca de um dia qualquer se torna mágica, uma verdadeira moldura para o quadro que o passeio de moto vai pintar para sempre em suas lembranças.
Sim, pois cada pequena viagem de moto é uma epopéia, um ato lúdico e singular. Porém, basta um engarrafamento que leve a uma moto caída para que a pintura se desfaça e toda a tela se transforme em um borrão.
E aquele aperto no peito só será desfeito se, em seguida, a gente vêr são e salvos piloto e garupa. Não há motociclista que não pare para ver se há algo a fazer para ajudar. Sim e que essa cumplicidade silenciosa das estradas não seja destruída pelas novas gerações, que parecem dar muito pouco valor ao que não disser respeito ao próprio umbigo ou imagem narcísica.
E mesmo seguindo viagem, com o coração mais leve por ver o irmão motociclista bem, aquela imagem da moto caída não nos saírá da cabeça. Pois poderia ser o fim da jornada de alguém que nunca chegaríamos a conhecer em um posto, acostamento, restaurante ou cidade qualquer.