
Outro dia conversando com amigos a esposa de um deles me disse que jamais sentaria em uma moto. E começou a falar de uma série de acidentes mortais que vivenciou na família ou ouviu dizer. Não é raro este tipo de comentário, que, na maioria das vezes, traz até um certo tom dramático, ou quase violento do tipo: Como você tem coragem de se arriscar tanto.
Na maioria das vezes eu não levo a sério e simplesmente argumento que direção perigosa pode acabar em acidente até na condução do garfo à boca.
Mas nesse caso específico tratava-se de uma daquelas pessoas desagradáveis que têm opinião sobre tudo e não tem o menor pudor em ser deselegante ao afirmar que para ela "todo mundo que anda de moto é irresponsável".
O pior, ela é daquelas pessoas que após cada coleção de bobagens que põe para fora acrescenta: "Eu falo mesmo. São irresponsáveis. O que eu tenho que dizer digo na cara", finalizou, deixando claro que o alvo deixava de ser aleatório para ser eu.
Se tem uma coisa que os meus 66 anos me ensinaram é que o melhor remédio contra os chatos e desagradáveis do dia a dia é o silêncio e a distância.
Porém, como se tratava de uma roda de amigos mudei o tema da conversa, que era as viajens e prazeres em desbravar esse país enorme e comecei a falar sobre Para-quedismo, vôo livre e outras experiências que eu tinha vivido e que na minha pobre e honesta opinião deveria ser vivido pelo maior número de pessoas possível.
Descrevi a emoção do primeiro salto de pará-quedas e do primeiro e único vôo duplo de asa delta sobre a Praia do Pepino, que fiz.
Outros amigos contaram coisas que, para muito são arriscadas, mas que vivenciaram experiências ímpares em suas vidas. Mergulho em cachoeira, navegar em mar de ressaca, até corrida de carrinho de rolimã em plena rodovia, o que, cá para nós é realmente uma loucura infantil deliciosamente perigosa, como roubar fruta na casa do vizinho que tem cachorro bravo.
Por sorte a "rainha" da deselegância não estava mais entre nós e o fim de tarde voltou a ser mágico e fraterno. Mas, hoje eu me pergunto? O que move uma pessoa a ter uma atitude assim? Medo? Despeito? Não sei. Mas aquele episódio me fez lembrar uma frase de alguém que li na adolescência: "Não creio em bruxas. Mas que elas existem, existem. Concordo.