
A juventude tem pressa. Pressa de sair, pressa de voltar, pressa de chegar, pressa de viver. Eu era assim. Minhas motos eram Nakeds ou esportivas. Quanto mais cavalaria melhor. Lembro do tesão que era ver o velocímetro digital da minha CBR 929RR marcar 220, 230 KMh.
Quando fundamos os Xavaskas eu tinha uma XR 200. Os demais colegas tinham Fireblade 900. Não era justo. Em um esforço financeiro gigantesco comprei uma Ninja 500. O mundo parecia se abrir. Dali para frente só cavalaria.
As viagens eram uma loucura. Eu, Milton, Volverine, Abelha, Mário e Elias com motos esportivas ou Big Trails. Os demais com custons ou motores mais modestos.
É claro que chegávamos todos juntos, pois constantemente fazíamos aquelas paradas de esperar a galera. E como era legal passar a mil por hora pelas cidadezinhas, com crianças e famílias inteiras à beira da pista acenando e vibrando com as motos a 200 km/h.
Mas o que ficava do trajeto? nada. E o que viámos no entorno, nas paisagens? nada. Mas chegávamos a Tiradentes com Cinco horas e pouco de viagem, mesmo com as péssimas condições das estradas de Minas Gerais, até hoje mal tratadas.
Hoje curto minha custom com calma, praticamente saboreio cada pedaço de estrada e percebo um outro sabor na alma. Chegar não é mais o objetivo principal. A jornada é a meta. E quando sou ultrapassado pelas esportivas apressadas e a 200 Km/h eu dou um sorriso de cumplicidade e compreensão dentro do capacete, para logo a seguir dizer a mim mesmo: Pressa? para oquê mesmo?