18Jan

Os anos 2020 foram devastadores. O tempo, sempre ele, foi cuidando para nos deixar cada vez mais afastados. E então, por mais incrível que pareça, com a maioria de nós aposentados, o que mais nos falta é tempo. Sempre ele.

Tempo. Essa estrada de mão dupla é implacável. Tanto serve para consolidar amizades, estruturas e sabores. Como pode corroer, enferrujar e dissolver o que parecia indestrutível, deixando um sabor de vazio na boca, nos olhos, na alma.

Nos anos 90, quando fundamos o Xavaskas do Asfalto, não havia um só mês, as vezes semana, que não estivéssemos mobilizados e prontos para uma nova jornada por esse país à fora.

Mas o tempo, sempre ele, não perdoou o piscar de olhos. Abelha optou por nos deixar para sempre e seguiu sozinho uma nova jornada rumo ao infinito. Torço para que um dia nos reencontre, mas sem pressa.

Cezinha sobreviveu a um grave acidente. Quis ele provar que uma motocicleta é mais forte que um ônibus, quase conseguiu. Como um verdadeiro guerreiro, após uma incrível e milagrosa recuperação, Cezinha lutou bravamente por manter os Xavaskas unidos e foi um verdadeiro embaixador da nossa escuderia na Baixada.

Mas seus sonhos o afastou da trupe cambaleante e o levou para a Serra de Friburgo, onde hoje nos representa, mas tem enorme dificuldade em participar dos encontros de confraternização pela distância, cansaço e limitações físicas da idade. Sim, somos todos 60tões.

Os anos 2020 foram devastadores. O tempo, sempre ele, foi cuidando para nos deixar cada vez mais afastados. E então, por mais incrível que pareça, com a maioria de nós aposentados, o que mais nos falta é tempo. Sempre ele.



17Nov

A estrada muitas vezes se aproveita daquele momento de relaxamento para nos colocar à prova e em situações de risco. Apesar dos meus quse 30 anos de motocicleta, a experiência acumulada não me garante imunidade alguma.

A estrada muitas vezes se aproveita daquele momento de relaxamento para nos colocar à prova e em situações de risco. Apesar dos meus quse 30 anos de motocicleta, a experiência acumulada não me garante imunidade alguma.

No sábado, 15 de novembro, quando eu curtia o trecho da Dutra próximo a Seropédica, cai em uma armadilha conhecida, mas que o relaxamento me levou a ignorar. Na pista da direita, à minha frente, uma carreta muito longa (acho que era bi-trem), me fez preparar a ultrapassagem. Ventava forte e eu sabia que teria que ser rápida e segura, para sair logo do vácuo provocado pelo caminhão. 

No retrovisor vi uma picape se aproximando e decidi fazer a ultrapassagem após a passagem dela. Até aí, todas as decisões corretas. Porém assim que a picape passou por mim eu segui atrás dela para ultrapassar também. Esse foi o meu erro. Apostei na perícia do motorista da picape e perdi. O motorista não concluia a ultrapassagem, pois estava conversando e simplesmente trancou a rodovia ficando paralelo à carreta, em um grande FODA-SE para quem vinha atrás.

O pior, atrás de mim já havia um outro carro, pressionando querendo, claro, passar. Formou-se então para mim a "tempestade perfeita". Vento forte lateral, vácuo da carreta me convidando a ir para debaixo das rodas e um outro carro na minha rabeta. Liguei o alerta e sinalizei para o motorista de trás, que, por sorte (nunca conte com a sorte) compreendeu que eu estava alí como um rato na ratoeira.

Fui reduzindo a velocidade até que a carreta ficasse toda a minha frente. Sinalizei com a seta e voltei para a pista da direita. Por mais cruel e incrível que pareça, o motorista da picape continuou com a mesma postura, até que o carro que estava atrás de mim e agora colado no para-choque dele começasse a buzinar, seguido por uma caravana de outros veículos que vinham assistindo a tudo.

A picape enfim concluiu a ultrapassagem e foi para a faixa da direita, permitindo a todos que seguissem viagem em segurança, inclusive eu, o último a passar. O motorista da carreta sinalizou para mim em solidariedade e eu pude trazer de volta para a garupa a minha alma, que já havia dito FUDEU e se mandou.