Nao é fácil explicar esse elo invisível que une homens e mulheres que nunca se viram em torno de duas rodas e um amontoado de peças e parafusos. Existe uma solda mágica de nos transforma em um só conjunto com a motocicleta e todo o entorno que foi criado neste mundo mágico. Isso porque uma motocicleta é muito mais do que um amontoado de peças, parafusos, porcas e arruelas. Ela tem vida,, apelido, nome, enfim. Não existe moto ruim. existe um sonho realizado. Claro que existem marcas pouco confiáveis. Sim, mas essa é a parte racional em um universo totalmente intangível, inodoro, mágico. Quando eu conquistei minha primeira moto, lá nos idos de 1978, parecia que tinha conquistado o mundo. Aquela sensação de pertencimento a um universo ainda desconhecido, mas fascinante. E era incrível quando eu chegava em qualquer lugar, encostava aquela Kawasaki 1974 e os olhares se voltavam para nós dois. Tirar o capacete era uma revelação. Não era um ato mecânico. Era a resposta sobre de quem é essa moto. E os olhares e pequenos gestos de boas vindas recebidos de outros motociclistas presentes naquele bar, restaurante ou point de praia. Sim eu fazia parte de tudo aquilo. E até hoje faço. Como um pacto de vida e de morte. De sonho e realização. De saber que eu vou aonde quero, quando quero e ficar é só uma opção remota. pois ela chama de volta. E eu amo essa alma de mulher que tem minha moto. Obedeço e vou.