Restaurando o passado

O que leva um homem a depositar uma boa parte de suas energias, sonhos, tempo e economias a comprar uma motocicleta velha, tecnologicamente ultrapassada e muitas vezes mais caras do que uma motocicleta moderna, zerinho ou cheirando a nova?

O meu grande amigo Volverini (Jorge Abreu) sorri quando essa questão é levantada. E que ninguém duvide do tamanho do brilho nos olhos daquele homem, que, como eu, já acelera rumo a sua sétima década de vida, quando em algum lugar alguém aponta para a sua Yamaha RD 350 verde, 1974, ou para a Suzuki 500, douradinha, 1975, e pergunta : " É sua?" para logo depois dizer: "linda demais. Parabéns!".

Eu mesmo, há poucas semanas, enquanto almoçávamos após um passeio de moto pela zona sul carioca, questionei se valia a pena empatar grana nessas compras e restaurações. E se havia mercado para recuperar o dinheiro e o tempo investidos. 

A resposta teve todo o perfil do grande Volvi. Começou apontando os aspectos técnicos e econômicos do universo das motocicletas antigas, para depois soltar a frase que escancara a alma desses apaixonados pelas belas senhoras de duas rodas:

"Mas tu sabe que a gente não restaura para ganhar dinheiro, né? Sim Volvi, eu sei. E sei também da trabalheira que dá o transporte dessas lindas meninas de cá para lá, quando se leva cada uma dessas jóias a um evento ou exposição.

Mas o que melhor sei é que esses homens-meninos como você não só se apaixonam e dedicam amor e carinho ao trazer de volta aos nossos olhos, ruas e avenidas essas maravilhas do passado. Vocês preservam a alma e a história do motociclismo peça por peça. E em nome de cada amante das duas rodas eu me curvo e agredeço. Muito Obrigado amigo. (Veja na em Galerias as motos do nosso bravo Volverini).